quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Nem tudo que parece é!

   Nesta época do ano é comum observar reportagens na mídia (jornal e televisão) sobre o aparecimento de animais silvestres marinhos, como focas, pinguins, baleias, lobos-marinhos, entre outros, na costa brasileira, principalmente na Região Sul. Porém com o interesse voltado para a interferência humana nesse processo de aparecimento de animais debilitados ou mortos, acabam não dando ênfase nos próprios indivíduos marinhos.Portanto, para esclarecer maiores dúvidas e alguns erros, o NUPAS transmite seus conhecimentos sobre os Pinípedes.
   A subordem Pinnipedia pertence à Ordem Carnivora e inclui mais de 30 espécies, divididas em três famílias: Família Odobenidae, Otariidae e Phocidae. Dentre as quais somente sete espécies já foram registradas em território brasileiro, desde a região sul até a nordeste, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis através do Plano de Ação Versão II - Mamíferos Aquáticos do Brasil de 2001, indicando ainda que não há presença de colônias reprodutivas no Brasil, sendo a maioria dos registros representados por indivíduos machos e jovens adultos.
   São carnívoros aquáticos encontrados desde os pólos até os trópicos, podendo ser visualizados no Brasil principalmente no período de inverno e primavera. Seu habitat é principalmente marinho, tendo como característica unificadora dos Pinípedes a longa permanência na água, com períodos em mar aberto para alimentação. Porém em algum momento precisam retornar a um substrato sólido (terra ou gelo) para reproduzir-se, mudar a pelagem ou descansar. No geral, são animais de grande porte, com o corpo alongado coberto de pelos e com uma espessa camada de tecido adiposo subcutâneo, o que os mantém protegidos das baixas temperaturas. Seu organismo é adaptado ao ambiente marinho e ao mergulho, permanece em apnéia, bradicardia, seus músculos são ricos em mioglobina e ainda possuem grande capacidade de armazenamento sanguíneo, desviando o sangue para os órgãos vitais (cérebro e coração), o que lhes conferem a habilidade de passar longos períodos embaixo d’água em concentrações diminuídas de oxigênio.
Foto: Apostila do Curso de Oceanografia da UNIVALI do Profº Andre Barreto

   Estes animais se alimentam principalmente de peixes, alimento rico em proteínas, vitaminas e minerais. E não... eles não ingerem água salgada! Sua obtenção de água se dá através do alimento, são raríssimos os momentos de ingestão voluntária de água salgada, essa necessidade é suprida pelo alto teor de água presente no peixe e também pela combustão de gorduras do mesmo. Por isso é comum observar em recintos de reabilitação a presença de um recipiente com água doce.
   A Família Odobenidae, que possui como principal representante as morsas, não foi registrada no Brasil. A Família Otariidae possui os representantes popularmente conhecidos como lobos e leões-marinhos. E a Família Phocidae inclui as focas em geral, inclusive os elefantes-marinhos.
   Os Focídeos possuem o corpo fusiforme e arredondado, pescoço curto e volumoso e não possuem pavilhões auriculares. As unhas estão localizadas nas pequenas nadadeiras anteriores. Deslocam-se em terra arqueando seus corpos, pois possuem as nadadeiras anteriores curtas, impossibilitando de usarem-na como apoio. Os machos possuem os testículos intra-abdominais. Um dos representantes registrados em território brasileiro é a Mirounga leonina popularmente conhecida como elefante-marinho-do-sul, seu habitat é em praias arenosas e de seixo rolados, o macho pode pesar até 5.000 kg. Hydrurga leotonyx, ou chamada popularmente de foca-leopardo, possui os blocos de gelo flutuantes como habitat e a fêmea desta espécie pode pesar até 590 kg. E a popularmente conhecida como foca-caranguejeira, Lobodon carcinophagus, também possui seu habitat em blocos de gelo flutuantes e seus representantes podem pesar até 230 kg, é o pinípede mais abundante do mundo. Todos os focídeos registrados na costa brasileira são listados pela IUCN como animais de baixo risco de extinção.

Foto: Fundação Jardim Zoológico de Niterói

  Os Otarídeos são animais mais delgados, possuem pescoço longo, pavilhões auriculares pequenos proeminente, possuem as nadadeiras anteriores alongadas e unhas rudimentares, e os membros posteriores alojam as unhas com desenvolvimento normal. Em terra deslocam-se com relativa rapidez e agilidade sobre os quatro membros. Possuem quatro representantes já registrados na costa brasileira, entre eles está a Otaria byronia (ou O. flavescens), na qual o macho pode pesar até cerca de 350 kg e a fêmea 140 kg, são popularmente conhecidos como Leão-marinho-do-sul, podem atingir até 280 cm de comprimento e são encontrados em praias arenosas e de seixos rolados ou costões rochosos. Outro representante é o Lobo-marinho-do-sul, Arctocephalus australis, que possui seu habitat principalmente em costões rochosos, em que o macho pode pesar até 200 kg e a fêmea apenas 50 kg. Artocephalus tropicalis ou também conhecido como Lobo-marinho-subantártico o macho pode pesar até 160 kg e medir 200 cm de comprimento, já a fêmea mede até 140 cm de comprimento e pode pesar no máximo 50 kg, são encontrados também em costões rochosos. E o Lobo-marinho-antártico, Artocephalus gazella, aonde a fêmea pode pesar até 40 kg e o macho 200 kg, seu habitat principal são as praias de seixos rolados e costões rochosos. Segundo a IUCN todos os otarídeos registrados no Brasil possuem baixo risco de extinção.

Foto: Zoológico de São Paulo

   E então caro leitor, nem tudo que parece é, não? Os focídeos e otarídeos são muito parecidos sim, mas são totalmente diferentes para os leitores do blog É o Bicho a partir de hoje! Portanto, ao observar, ler e assistir sobre os Pinipedes não deixe que falsas informações sejam transmitidas, informe você o seu conhecimento que o NUPAS ajudou a construir!

Por: Thaís Hipolito

Fonte:


Cubas Z.S., Silva J.C.R. & Catão-Dias J.L. (ed.), Tratado de Animais Selvagens - Medicina Veterinária. Editora Roca, São Paulo.

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