quarta-feira, 12 de junho de 2013

Viva a monogamia, ou não.

Não importa em qual cidade do Brasil você esteja, seja no meio do mato, na cidade ou na praia, faça chuva ou faça sol, convenhamos que hoje o dia amanheceu mais cativante e com um toque de paixão no ar. Seja você solteiro, namorado, casado, divorciado ou até viúvo, é hoje que lembramos cada um do seu par e da sua relação monogâmica, ou seus pares e seu harém, se assim preferir. No dia dos namorados, o NUPAS apresenta pra vocês os animais monogâmicos, solteirões convictos e aqueles que admiram um bom harém.
Começamos por aqueles que vivem um amor tão arrebatador que depois que se conhecem quase trocam juras de amor – se não fossem animais, claro - e literalmente vivem juntos até que a morte os separem. Um exemplo muito conhecido é o João de Barro (Furnarius rufus), o casal constrói o ninho utilizando barro úmido, esterco e palha, em formato de forno de barro, que pode ser facilmente identificado e visualizado no alto de árvores e postes. O interior do ninho possui uma parede separando a entrada da câmara incubadora, diminuindo as correntes de ar e o acesso de possíveis predadores. Eles não utilizam o ninho por mais de duas estações seguidas, realizando um rodízio entre dois ou três ninhos, quando não há mais espaço eles constroem em cima ou ao lado do ninho velho. Outros exemplos de animais que vivem em casal são a Curicaca (Theristicus caudatus) e o Papagaio-charão (Amazona pretrei).


Como todo solteirão bem seguro de si, eles conquistam as fêmeas na época em que elas estão mais propensas a se sentirem atraídas. Esse processo ocorre na grande maioria dos animais, sejam mamíferos ou aves, são nos períodos de reprodução que o macho e a fêmea se procuram para acasalarem e procriarem. Trazendo esse exemplo para a nossa região, encontramos o Puma (Puma concolor), os animais vivem isolados e na época de reprodução – não específica – os animais copulam. A fêmea permanece grávida por aproximadamente 90 dias e após o nascimento o filhote vive sob os cuidados da mãe até os dois anos de idade.
Há ainda aqueles mais ousados que constituem um harém, formando um grupo seleto, no qual as fêmeas se conhecem e mesmo assim convivem super bem. As capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris) são exemplos de roedores que vivem dessa maneira. Em um grupo formado por um número variado, geralmente não ultrapassando vinte indivíduos, constituído de machos e fêmeas, no qual o macho alfa é o principal procriador.


Querido leitor, brincadeiras a parte, desejo que você aproveite essa noite, independente do seu “status de relacionamento”!


Por: Thaís Hipolito

segunda-feira, 27 de maio de 2013

A Mata Atlântica "grita" por atenção!

   Hoje, no dia nacional da Mata Atlântica, o NUPAS não poderia se calar, já que o estado de Santa Catarina encontra-se em sua totalidade neste bioma. A Mata Atlântica é uma das áreas mais ricas em biodiversidade e mais ameaçada do planeta. É também decretada Reserva da Biosfera pela Unesco e Patrimônio Nacional, na Constituição Federal de 1988. Segundo dados da ONG SOS Mata Atlântica este bioma brasileiro abrangia cerca de 1.315.460 km² do Brasil, atualmente, restam apenas 7,91% de remanescentes florestais acima de 100 hectares do que existia originalmente, e se somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 hectares obtém-se apenas 11%.




   No Brasil, aproximadamente 112 milhões de habitantes vivem na Mata Atlântica, ou seja, cerca de 61% da população brasileira. Além disso, vivem na mata também:


  • Mais de 20 mil espécies de plantas, sendo 80 endêmicas;
  • 270 espécies conhecidas de mamíferos;
  • 992 espécies de aves;
  • 197 répteis;
  • 372 anfíbios;
  • 350 peixes.

   Portanto caro leitor, vamos aproveitar esse dia para preservar o que é nosso!

Por: Thaís Hipolito


Fonte:


terça-feira, 21 de maio de 2013

Amo muito tudo isso!

   Ter qualidade de vida requer uma boa alimentação, tal afirmação é valida não somente para as populações humanas, mas também para os animais que vivem sob nossos cuidados. Os seres humanos criam animais em cativeiro há pelo menos 25.000 anos. No processo de manutenção das espécimes em cativeiro, a alimentação fornecida, muitas vezes, é diferente da encontrada pelo animal em seu ambiente de origem. Porém como alimentar animais das mais diversas partes do mundo, e mantê-los nutridos? O alimento não tem comento o papel de satisfazer a fome do animal, faz parte também da manutenção orgânica do organismo. Nos zoológicos do Brasil o alimento oferecido às espécimes nem sempre segue uma dieta balanceada, apesar da diversidade de ingredientes existentes. Desta forma, compor a dieta nutricional de animais selvagens sob cuidados humanos exige uma verdadeira engenharia, pois nem sempre alimentar significa nutrir.


   Um animal se alimenta por dois motivos básicos: (a) preencher o estômago e (b) repor as perdas hídricas e orgânicas, lembrando que a água também pode ser considerada um alimento. O processo de nutrição dos animais em um zoológico não é tão simples. A diversidade de espécies presentes com hábitos e exigências diferentes faz  com que os profissionais atentem para alguns cuidados. O balanceamento de qualquer tipo de dieta, que alimente e nutra de forma apropriada os animais é a grande questão. Um alimento formulado que atenda a necessidade de saciar a fome do animal deve ao mesmo tempo satisfazer as exigências nutricionais do organismo, tais como energia, aminoácidos, açúcares, gorduras, minerais e vitaminas, caso contrário irá alimentar o animal sem nutrir.
   Durante a formulação de uma dieta a ser oferecida para um animal, deve-se ter como objetivo alimentar um determinado organismo a fim de alcançar a nutrição dos órgãos e tecidos. Nas mais diferentes espécies animais domésticas, os guias de exigências nutricionais auxiliam na determinação das necessidades de uma categoria animal, enquanto, as tabelas de composição dos alimentos dispõem de informações sobre o valor nutricional dos possíveis ingredientes. Fato não concreto para os animais selvagens, onde produtos comerciais indicados para espécies domésticas são incluídos na dieta. O leite PetMilk®, recomendado para caninos e felinos domésticos, é usado para alimentar filhotes das mais diversas espécies selvagens. Já os antílopes são alimentados com feno de alfafa e sal mineral para gado (formulação comercial), somente pela proximidade taxonômica destes grupos e não por suas exigências nutricionais.
   Haja vista a lacuna de informações presente, a análise de alimentos permite encontrar respostas para a nutrição de animais selvagens, criando as tabelas de composição química-bromatológica dos alimentos. Ao conhecer do que o alimento é composto o nutricionista tem potencial para criar dietas balanceadas aos animais selvagens. Em consonância, conhecer as exigências nutricionais de cada espécies também se torna imprescindível, nos diferentes estágios da vida e em diferentes épocas do ano. Com as exigências nutricionais e a composição dos alimentos permite-se formular dietas corretas. Além desses dois fatores a biologia comportamental de cada espécie influencia no sucesso da nutrição. Determinadas respostas a estímulos ambientais (temperatura, fotoperíodo) podem desencadear uma série de atitudes, que reduzam ou aumentem a ingestão de alimento ou a exigência nutricional. É possível notar que animais em atividade reprodutiva permanecem por dias consecutivos sem se alimentar, e inclusive reduzir seu escore corporal. A atividade alimentar em populações come estrutura hierárquica (ex. primatas) também deve ser revista. Geralmente o macho alfa tem preferência na escolha do alimento disponível, deixando para o restante do grupo uma menor variedade de opções. Nestes casos recomenda-se a suplementação com rações, ou seja, alimento padronizado em forma, peso e palatabilidade e composição nutricional, disponível para todos. Os horários de fornecimento do alimento, assim como o fracionamento das refeições, são outros fatores a considerar.
   Nutrir animais e não somente alimentá-los, torna-se um desafio constante. Fornecer uma dieta correta é garantir por parte a saúde do animal. Formular dietas passa a ser o ato de tomar decisões técnicas baseadas em princípios científicos. Vale lembrar que a criatividade torna-se um pré-requisito. Haja visto que dispomos de uma grande diversidade de ingredientes, nem sempre disponíveis. Atentar para a qualidade do alimento disponível e saber das exigências do animal constituem o primeiro passo. Ter a sensibilidade de reconhecer as respostas que as diferentes espécies vão ter com os estímulos do ambiente é fundamental. Temos assim a capacidade de formar uma estratégia de sucesso. Lembrando somente que um animal nutrido e fisicamente bem, não necessariamente é um animal saudável.


Por: Vilmar Picinatto Filho

terça-feira, 30 de abril de 2013

Bicho da semana

   O Leopardus weidii, ou Gato-maracajá, é o animal escolhido da semana pelo NUPAS, ele pertence a um dos grupos de mamíferos mais apreciados pelo homem e se inclui também no grupo de animais silvestres mais pesquisados, os felídeos. Hoje em dia, a maior causa do declínio da população de felídeos silvestres na natureza é a destruição e a fragmentação do seu habitat, além do tráfico ilegal e da perseguição direta em forma de caça e abate. Como você, leitor, pode perceber, ao acompanhar o blog, essas ameaças são comuns entre muitas espécies de animais silvestres infelizmente.
   O Gato-maracajá é considerado um pequeno felídeo, medindo de 46 a 62cm de comprimento e pesando em média 3,3kg. Este animal apresenta algumas características marcantes como olhos grandes e protuberantes, focinho saliente, patas grandes e uma cauda comprida, representando até 70% do comprimento do corpo (da cabeça à inserção da cauda).


   A coloração da sua pelagem varia entre amarelo-acinzentado e castanho-ocre, com diversas tonalidades intermediárias. O padrão dos ocelos também é variável, de grandes pintas sólidas a bandas longitudinais. As rosetas são largas, completas e bem espaçadas nas laterais.
   Este felino apresenta hábito solitário e quase exclusivamente noturno. Durante o dia descansa nas árvores, apresentando uma excepcional habilidade para escalá-las, pois conseguem girar as patas traseiras até 180º, o que o permite se locomover sob galhos, se pendurar pela pata traseira e descer troncos verticais de frente.



   Pode ser encontrado em todas as regiões brasileiras principalmente em florestas verdes e decíduas, além de planícies costeiras, matas ciliares e cerrado. Sendo raramente encontrada em altitudes acima de 1.200m. Segue abaixo um vídeo pertencente ao arquivo do NUPAS de um Leopardus wiedii na localidade de Painel, SC. 




Fique atento as próximas publicações do Blog!!

Por: Thaís Hipolito

Fonte:

CUBAS, Z.S., SILVA,J.C.R. & Cartão-Dias, J.L. (ed.) Tratado de Animais Selvagens – Medicina Veterinária. Editora Roca, São Paulo.

São Paulo (estado). Polícia Militar do Estado de São Paulo. Comando de Policiamento Ambiental do Estado de São Paulo.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Desejamos a todos o respeito dos índios pelos animais


Hoje comemoramos o dia do índio, decretado pelo então presidente Getúlio Vargas no ano de 1943! Neste dia costuma-se valorizar e relembrar a cultura indígena, assim como a importância desse povo. Aqui no Brasil o número de índios chegava a cinco milhões de nativos aproximadamente. Como sabemos os índios sobrevivem utilizando recursos naturais oferecidos pelo meio ambiente através da caça, plantação, pesca, coleta e produção de instrumentos necessários a essas atividades. Tudo para os índios era motivo de comemoração, independente se havia tido uma boa colheita ou um casamento, então nada mais justo do que o NUPAS também comemorar o dia daqueles que possuem grande importância histórica.
Como os índios habitavam as matas eles estavam em conexão direta com a fauna e flora, consequentemente com os animais silvestres de sua região, como por exemplo, alguns macaco, araras, quatis, papagaios, porcos do mato e capivaras. Há ainda alguns traços de nossa linguagem que descendem dos índios, como a origem de alguns nomes de animais silvestres, por exemplo, o jacaré que veio da tribo tupi, o jaguar que significa "cão" ou "lobo", a capivara que quer dizer "comedor de capim", entre outros como jacu, guará, tatu, tamanduá, jararacuçu.

Filme "Tainá - a origem"

À medida que os anos foram passando a urbanização e população aumentaram em grandes proporções, e os índios perderam seus espaços para grandes cidade ou áreas de agropecuária, assim como os animais silvestres. Atualmente uma das adversidades no Brasil são os conflitos por demarcações de terras que os índios reivindicam. Mas não podemos esquecer que os índios são parte da história viva do nosso país e merecem todo o respeito.
Há um provérbio indígena que questiona se somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, é que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro. O NUPAS zela pelo respeito para com os animais, portanto, vamos nos espelhar nos índios que tanto apreço tem pelos animais silvestres.


Por: Fernanda Cabreira e Thaís Hipolito


segunda-feira, 8 de abril de 2013

O NUPAS preparou mais essa para você!

Caro leitor, não perca mais essa novidade do NUPAS! Estreou hoje na rádio UDESC FM um dos projetos do grupo. O projeto de extensão “É o bicho: a fauna catarinense no rádio” foi reformulado e começa a ser transmitido em todas as rádios UDESC FM do Estado de Santa Catarina, em Lages 106.9, Joinville 91.9 e Florianópolis 100.1 a partir da data de hoje, com 3 inserções diárias, incluindo finais de semana.
O programa “É o bicho” transmite ao ouvinte curiosidades, conhecimento e desmistifica espécies da fauna catarinense nativa. Ouça abaixo o programa que foi ao ar hoje.



Os horários na rádio UDESC FM Lages são às 8, 16 e 23h. Caso você não tenha acesso a um aparelho de som ou esteja fora da área de abrangência, sintonize-se pelo site www.cav.udesc.br , clicando no link da rádio.
Portanto querido leitor, a partir de hoje fique mais por dentro ainda da fauna catarinense nativa com o NUPAS e seja também um ouvinte da rádio! Sintonize na Rádio UDESC FM e não perca essa novidade que o NUPAS preparou para você!


Por: Thaís Hipolito

segunda-feira, 18 de março de 2013

As semelhanças são grandes

Quem nunca ouviu falar que “Não se compra o livro pela capa” ou “As aparências enganam”? São ditados populares como esses que nos deixam um pouco ressabiados e desconfiados, afinal “Um homem prudente vale mais que dois valentes”. Hoje o NUPAS irá mostrar a você leitor que realmente “Nem tudo que reluz é ouro”.
Na natureza os animais costumam se proteger de seus predadores de diversas maneiras, se escondendo, subindo nas arvores ou ainda se camuflando. O ato de se camuflar nada mais é do que uma adaptação ao meio ambiente no qual o animal vive, permitindo com que o mesmo seja indistinto ao meio que o cerca. Este recurso é resultado de uma seleção natural que determinada espécie sofreu durante muitos anos. A camuflagem pode ocorrer através da coloração, da cobertura corporal ou ainda pelo formato do corpo, por exemplo, os golfinhos e alguns peixes marinhos que possuem uma coloração azul acinzentada para se assemelharem ao mar.


Esta imagem foi obtida dos arquivos do NUPAS, aonde podemos observar a presença de dois quatis camuflados no ambiente em que vivem, devido, principalmente, a sua coloração.
Outra característica que algumas espécies de animais silvestres apresentam, a qual os permite se proteger dos predadores, é a mimetização. Pode ser facilmente confundida com a camuflagem, mas são processos muito diferentes. A mimetização ocorre quando uma espécie animal imita características de outra espécie animal ou vegetal, tornando-as muito parecidas e enganando os predadores ou as presas. Existem algumas espécies de borboletas que possuem desenhos em suas asas semelhantes a olhos espantando assim seus predadores, ou ainda uma espécie de aranha que apresentam o corpo muito parecido ao de uma formiga permitindo uma aproximação da sua presa e uma captura mais fácil . Outro exemplo muito característico é a Cobra-coral-falsa (Oxyrhopus sp.), que  não é peçonhenta, se assemelha muito a Cobra-Coral-verdadeira (Micrurus frontalis e Micrurus corallinus), que são cobras peçonhentas, para se proteger de outros animais.

M. corallinus

M. frontalis

Oxyrhopus sp.

Portanto caro leitor, é sempre bom estarmos atentos aos “Lobos em pele de cordeiro”. Boa semana a todos!


Fonte das imagens 2,3 e 4:
São Paulo (estado). Polícia Militar do Estado de São Paulo. Comando de Policiamento Ambiental de São Paulo.

Por: Thaís Hipolito